UT IN OMNIBUS GLORIFICETUR DEUS


Aeterni Patris

Tradução da Encíclica Aeterni Patris, do Sumo Pontífice Leão XIII, por Maria Lucia da Fonseca e Sávio Laet. Revisão do português por Darci Mazarelo de Barros Campos.

 

Aeterni Patris é uma Encíclica do Papa Leão XIII. Datada do ano 1879, se tornou, ao lado da Pascendi Dominici Gregis de Pio X (1907), umas das principais responsáveis pelo renascimento da filosofia escolástica e, preferencialmente, da de Tomás de Aquino. A este movimento de renascença da filosofia escolástica dá-se o nome de neo-escolástica. Àquele movimento que granjeou o renascimento do tomismo costuma-se chamar de neotomismo.

 

 A filosofia neo-escolástica se diferencia da filosofia cristã. Numa perspectiva histórica, toda filosofia que sucedeu à Encarnação do Verbo - de Plotino a Nietzsche - é filosofia cristã. Numa perspectiva mais intrínseca, entende-se por filosofia cristã todo pensamento que, muito embora elaborado pela razão pura, leva em conta os dados da Revelação. Já a neo-escolástica pretende retomar uma parte da filosofia cristã, a saber, aquela que se construiu num determinado período da história que convencionalmente chamamos de Idade Média.

 

A Epístola leonina teve por objetivo reagir ao espírito laico provindo, sobretudo, do racionalismo iluminista e do materialismo positivista. Tais sistemas pareciam predominar mesmo nas camadas católicas. Contudo, Leão XIII, nesta encíclica, foi muito prudente. Para ele o renascimento do tomismo significava, antes de tudo, um reavivamento do tomismo histórico, desvencilhado das elaborações dos comentadores do Aquinate (evidentemente os comentadores aos quais o Papa Leão se refere não são os clássicos, Caetano e João de Santo Tomás, por exemplo) que nem sempre refletiam o pensamento do mesmo. O Papa Leão também alerta que muitas vezes a excessiva sutileza de certos escolásticos tornou-se, pois, inadequada para os novos tempos. Também aponta, com cautela, para o fato de que não há razão, para continuar impondo aos espíritos contemporâneos, aquelas teses dos escolásticos que, à luz das descobertas mais recentes da ciência, já se mostram obsoletas.

 

Esta Encíclica gerou novos filhos para a Igreja, e uma nova geração de pensadores católicos conseguiu, uma vez mais, levar a filosofia escolástica para as cátedras universitárias do nosso tempo. Os notáveis deste movimento foram vários, e em todas as partes do mundo, a influência da Encíclica se fez sentir: seja pelos pensadores que nela se inspiraram, seja ainda pela fundação de academias, universidades e centros de estudos direcionados a realizarem as proposituras da Carta. Dentre os pensadores basta citar os dois franceses que se tornaram mestres universalmente conhecidos: Etienne Gilson e Jacques Maritain; o Cardeal Belga Mercier também merece destaque, etc. A influência da Encíclica foi inegável e contribuiu, consideravelmente, já para a fundação de novas universidades, já para o desenvolvimento de grandes centros de estudos como: a Academia Romana de Santo Tomás, a Universidade Católica de Milão, a Universidade de Lovaina e os Institutos Católicos de Lião, de Paris e de Tolosa.

 

Valemos-nos, para elaboração desta entrada, de duas obras de caráter geral:

 

DARIO ANTISERI, Giovanni Reale. História da Filosofia: Do Romantismo até os Nossos Dias. 5º Edição. (Coleção Filosofia). São Paulo: Paulus, 1991. p. 776 a 778. 

 

MONDIN, Batistta. Curso de Filosofia: Os Filósofos do Ocidente: Vol 3. Trad: Bênoni Lemos. Rev. João Bosco de Lavor Medeiros. São Paulo: Paulus, 1981. 140 a 142.





As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino

Monografia de Conclusão de Curso.

Por este trabalho obtive o Bacharelado e a Licenciatura Plena em Filosofia pela Universidade Federal de Mato Grosso.

Consegui, pela graça de Deus, a nota dez na realização deste trabalho.

A defesa foi pública. Participaram da Banca os eminentes e proeminentes: Prof. Dr. José Jivaldo Lima (Doutor em Tomás de Aquino pela PUCRS e meu Orientador na construção do texto) e o Prof. Dr. Ângelo Ramos (Doutor em Santo Agostinho pela USP), além de uma digníssima platéia composta de professores e colegas do Curso de Filosofia da UFMT.

Este trabalho versa sobre as Cinco Vias. O tema dele é: "As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino".

O principal objetivo deste texto pode ser resumido no seguinte: mostrar que Deus não é somente uma questão religiosa e/ou teológica, mas também filosófica!



Do Apetite em Santo Tomás de Aquino

Para Tomás de Aquino, é o apetite: “a inclinação, a tendência do sujeito para aquilo que lhe convém, portanto para seu bem.” Ora, toda forma, tem uma tendência: o fogo, para cima, a terra, para o centro. Tomás, distingue, pois, dois tipos de apetites, duas formas de inclinações: os apetites naturais, que ocorrem naqueles seres que carecem de conhecimento, e o apetite - potência da alma – que se encontra, naqueles seres que podem conhecer, tanto sensivelmente como racionalmente.



Do Conhecimento Sensível em Santo Tomás de Aquino

Para Tomás, o conhecimento sensível, é constituído de quatro faculdades: “Não há necessidade, portanto, de afirmar senão quatro faculdades sensitivas internas, a saber: o senso comum e a imaginação, a estimativa e a memória”.



Do Conhecimento Inteligível em Santo Tomás de Aquino

O intelecto criado – seja qual for (angélico ou humano) - por natureza, não pode conhecer, todas as coisas, ao mesmo tempo. Isto porque, o nosso intelecto - exatamente por ser criado - não é ato puro. De fato, somente o intelecto divino - que é criador - pode conhecer todas as coisas, em ato puro. Deveras, se fosse ato puro, o intelecto criado, seria como o divino, ou seja, não seria criado, o que é contraditório! Logo, forçoso é admitir que, entre os inteligíveis e o intelecto criado, existe uma relação de potência e ato.




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