UT IN OMNIBUS GLORIFICETUR DEUS


Tertuliano: “Credo Quia Absurdum”

Filho de Gentios, nascido em Cartago, por volta do ano 160, Quinto Setímio Florêncio Tertuliano foi o primeiro nome de relevo na história da patrística latina. Trata-se do primeiro grande protagonista da comunidade cristã africana. Tertuliano costumava zombar dos cristãos, vivia uma vida dissoluta. No entanto, tocado pela perseverança dos mártires, tornou-se ele também cristão. Parece não ter sido sacerdote, conforme atesta Jerônimo, e era casado. Seus ideais de severa correção moral o fizeram aderir à seita montanista (Esta heresia surgiu com um sacerdote pagão, convertido ao cristianismo, que se dizia a própria encarnação do Espírito Santo e que, por conseguinte, era portador de uma nova Revelação). Deixou-a, contudo, para fundar a sua própria seita, os tertulianistas. Estes ainda existiam no tempo de Santo Agostinho. O Bispo de Hipona reconciliou-os com a Igreja. A data da morte de Tertuliano é-nos desconhecida, provavelmente depois do ano 220.

Tertuliano era um gênio forte, formado em jurisprudência, tinha todos os traços de um grande jurista; dominava os artefatos da língua latina e foi o autor que mais influenciou na construção do latim eclesiástico (P. Boehner, 2000: 130 e 131). Suas fórmulas incisivas foram, sobremaneira determinantes, na constituição da terminologia teológica. Expressões como “Um Deus em três pessoas” e “Trinitas” (Ibidem: 131) se tornarão clássicas no vocabulário da sagrada ciência. Tertuliano foi o autor mais fecundo na patrística latina antes de Constantinopla (B. Altaner, 2004:157). Possivelmente, o mais original depois de Agostinho (ibidem: 156). Embora exímio latinista - como assinala alguns dos mais renomados pesquisadores da patrística- Tertuliano mais deslumbra do que convence (ibidem). 

O principal objetivo deste artigo é pôr em evidência o caráter anti-naturalista e anti-filosófico de Tertuliano. Tal postura ganha maior relevância quando, repetidas vezes, foi retomada na história do pensamento cristão. O seu primeiro discípulo foi São Cipriano (P. Boehner, 2000: 136).





O Conceito de Natureza Corrompida e a Possibilidade de uma Filosofia e Ética Filosófica em Tomás de Aquino

Otimismo cristão é o nome dado por Gilson a um capítulo, absolutamente clássico, da sua obra mais famosa: O Espírito da Filosofia Medieval. Nele, Gilson, por meio de uma aguda observação dos fatos, remove o preconceito que, por séculos, havia estorvado o renascimento do pensamento cristão no âmbito laico, a saber, o do suposto pessimismo cristão. Ele transpõe a barreira trabalhando, precisamente, o conceito de natureza corrompida nos pensadores cristãos, em especial, em Santo Tomás.

A expressão natureza corrompida – na sua literalidade – é uma contradição em termos. De fato, não há como uma natureza – aqui entendida como os princípios constitutivos do ser – ser corrompida sem deixar, ipso facto, de ser uma natureza. Tal expressão – natureza corrompida – se não for entendida como se deve, equivaleria à absurda proposição de que uma coisa pode deixar de ser, e, não obstante, continuar sendo. Vejamos como Gilson enuncia o estado da questão (...).



O Conceito de Filosofia Cristã

Teria a Idade Média, além da arte, da poesia e da literatura, que lhe são próprias, também uma filosofia que lhe seja peculiar? Para responder a esta pergunta, nasceu o mais importante estudo do século XX sobre a história da filosofia medieval: L’ Esprit de la Philosophie Médiévale, de Étienne Gilson. No prefácio, da supracitada obra, explica-nos o seu autor (...)



A Legitimidade de uma Filosofia Cristã

Conforme vimos nesta passagem, Pieper, na apresentação de Lauand, faz uma reviravolta inesperada. De fato, enquanto a grande maioria dos filósofos discute a problematicidade de uma filosofia cristã, Pieper, ao contrário, partindo do pressuposto que uma filosofia cristã é evidentemente legítima, coloca sob judice, isto sim, a legitimidade de uma filosofia não-cristã.



Sobre a Legitimidade de uma Leitura Cristã dos Filósofos

Deve-se dizer que, de fato, não estamos mais na Idade Média. Seria, pois, um absurdo - digno de toda reprovação - pensar que devemos restaurar a “civilização medieval”, ou, de alguma forma, voltar a ela, em pleno século XXI. Contudo, não nós, mas a própria história enquanto tal, segundo a aguda observação de alguns especialistas, se encarregou de tornar patentes certas similaridades entre a nossa época e a dos medievais.




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