UT IN OMNIBUS GLORIFICETUR DEUS




Santo Agostinho e a Cidade de Deus

A Cidade de Deus é composta de vinte e dois livros. Foi escrita num espaço de tempo de dez anos (416-427). O contexto imediato desta obra é a invasão de Roma por Alarico, rei dos Visigodos, em 410. Todo orbe conhecido foi abalado pela queda de Roma e todos - até mesmo alguns cristãos - culpavam o cristianismo pela ruína da cidade. Segundo eles, o Deus de amor dos cristãos, tinha-se mostrado incapaz de proteger o império. A destruição de Roma seria, portanto, um castigo dos deuses pelo fato de os romanos os terem abandonado por causa do Deus dos cristãos. (...) Ora, a tarefa de Agostinho, que a esse tempo já era Bispo de Hipona, será a de se contrapor à idéia segundo a qual o Deus dos cristãos foi o responsável pela queda de Roma. (...)



Liberdade e Vontade em Boécio

Anício Mânlio Severino Boécio nasceu em Roma em 470.  Estudou em Roma, mas também em Atenas. Exerceu importantes funções, inclusive a de cônsul, sob o reinado de Teodorico, rei dos Ostrogodos.  Perseguido por seu amor à justiça, foi caluniado, exilado e cruelmente executado em 525.  Durante seu exílio em Pavia escreveu a sua obra-prima, o “De Consolatione Philosophie”.  Trata-se de um diálogo entre o autor, à espera da morte certa, e a filosofia que lhe vem consolá-lo. Nele Boécio, em meio as dores, interroga à filosofia que se lhe apresenta sob o aspecto de uma bela mulher. A filosofia o consola dizendo que não é nos bens exteriores que encontramos a felicidade, mas que somente em Deus poderemos desposá-la. Por fim, ocorre a discussão sobre como conciliar a liberdade humana e a Providência divina. A resposta consiste em dizer: a liberdade está, justamente, em escaparmos do destino que nos arrasta, abraçando a Providência. Escrito enquanto Boécio se encontrava preso à espera da morte, este diálogo nos toca o coração porque os temas nele tratados são, ao mesmo tempo, experienciados pelo autor. Boécio foi, ao lado de Agostinho, a maior influência da Antigüidade cristã tardia na filosofia medieval.

Neste modesto artigo destacaremos alguns conceitos que se tornaram cara a toda história da filosofia cristã, sobretudo no que toca à ética. Tomaremos como texto base o “De Consolatione Philosophie”. Um problema eminentemente lógico como o dos “futuros contingentes” é transposto por Boécio para o campo da moral e da ética.



O “Materialismo” No Pensamento de Santo Tomás

É comum ouvirmos – inclusive em meios católicos - a objeção segundo a qual a moral cristã resultaria de uma forma antinatural de ver o homem. Infelizmente, torna-se cada vez mais corriqueiro ouvir teólogos católicos adotando uma preconceituosa antipatia pela moral cristã-medieval. O argumento mais pitoresco que encontram é dizer que a moral dos escolásticos é demasiada espiritualista e desencarnada. Desta espécie de “pré-conceito” é vítima até mesmo o Doutor Angélico. Torna-se, lamentavelmente, cada vez mais natural dizer que o caminho para uma moral sadia começa pela superação do que eles chamam de rigorismo medieval.



A Consciência em Tomás de Aquino

Este intróito sobre a consciência em Tomás de Aquino visa desmistificar a idéia segundo a qual a fé era imposta, e as consciências escravizadas, na Idade Média. O artigo da Suma de Teologia, do qual extraímos as passagens que usamos neste texto, é uma verdadeira pérola; nele se faz ouvir, como em poucos, o realismo tomista.

Trata-se, contudo, de uma simples meditação que não espera muito mais do que chamar a atenção dos leitores para a questão e para a pesquisa.

Este texto foi bem acolhido no Círculo Virtual de Estudos Tomistas, um espaço para o pensamento, onde existem ilustríssimos senhores comprometidos com o exercício do pensamento e com a verdade da  fé. Agradeço a todos, sobretudo, ao nobilíssimo senhor Fernando, nosso moderador.




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