As Provas da Existência de Deus em Santo Anselmo
Segundo antiga tradição, Anselmo nasceu em Aosta, região de fronteira com a Suíça, em 1033. Contra a vontade do pai, ingressou na vida monástica. Com o objetivo de abraçar tal vida rumou para Paris aonde veio a se tornar monge beneditino, no mosteiro de Bec. Fora educado nas ciências do monastério pelo prior Lanfranco, ao qual sucedeu como prior do mesmo mosteiro, em 1063. Com efeito, foi durante o exercício do priorado que ele pôde desenvolver, de forma mais intensa, a sua atividade filosófica e compor as suas obras primas. Tornou-se abade do mosteiro e com a morte do seu antigo mestre, Lanfranco, foi sagrado arcebispo de Cantuária. Como Arcebispo teve que se envolver em querelas intermináveis para defender a primazia do poder espiritual sobre o temporal, e veio a falecer em 1109. A cristandade o venera como Santo e Doutor da Igreja.
Nosso artigo tem por objetivo colocar em evidência alguns conceitos do pensamento de Anselmo acerca da existência de Deus. Sua linha de argumentação é nomeadamente agostiniana. A obra que iremos seguir mais de perto aqui é o clássico "Monológio", que versa sobre a existência de Deus, os atributos divinos e a Santíssima Trindade. Como em outro artigo de nossa autoria, já tratamos a respeito do famoso argumento ontológico, optamos por prescindir dele aqui. Santo Anselmo é chamado “o Pai da Escolástica”.
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As Provas da Existência de Deus em Hugo de São Vitor
A Escola de São Vitor era formada por cônegos agostinianos que viviam na abadia parisiense chamada São Vitor. Conhecida por suas tendências à mística, acabou se tornando, no século XII, o segundo paradeiro da mística cristã, ao lado dos cistercienses.
Seus maiores expoentes foram Hugo de São Vitor, e seu aluno, Ricardo de São Vitor.
Hugo nasceu 1096, era descendente de nobres. De origem Saxônia veio muito cedo a Paris onde teve por orientador o Prior Tomás, a quem sucedeu na escola. Hugo é teólogo de alto nível, tentou reunir o essencial das ciências sacras e profanas ordenando-as para a contemplação de Deus. Severo quando se queria tomar o profano pelo profano; mas, como místico instruidíssimo, não rejeitava nenhum saber que pudesse ser orientado para o amor a Deus. Morreu cedo, aos 44 anos de idade, em 1141.
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As Provas da Existência de Deus em São Boaventura
O Doutor Seráfico foi o maior expoente da escola franciscana no século XIII. Nascido em 1221, em Bagnorea, ainda jovem, veio a Paris, onde se tornou Mestre em artes, e foi discípulo de Alexandre de Hales. Após se tornar Mestre em Teologia sofreu grandes perseguições por parte daqueles que julgavam inoportuna a presença dos mendicantes nas universidades. Superada a crise e com o apoio papal, tornou-se, ao lado de Tomás de Aquino, dono de uma cadeira de mestre em Teologia na Universidade de Paris. Tendo ingressado na Ordem dos Frades Menores, por volta 1238, veio a ser eleito Ministro Geral da sua Ordem o que o forçou a abandonar a carreira acadêmica. Sua atividade na Ordem foi tão intensa e significativa que lhe foi dado o título de segundo fundador dos Franciscanos. Não é só. Gregório X conferiu-lhe a dignidade de cardeal da Igreja, pelo que veio a se tornar bispo de Albano. Tendo participado do Concílio de Lyon, com notável destaque, ganhou a simpatia de todos, inclusive dos gregos. Adoecendo depois do Concílio, faleceu em 1224. Sixto IV elevou-o à honra dos altares e, em 1587, foi proclamado Doutor da Igreja.
Neste artigo, sucintamente, procuraremos delinear quais foram, as concepções mais significativas de São Boaventura, a respeito da existência de Deus. Seguiremos de perto, entre outros, um exímio conhecedor de sua obra, Etienne Gilson.
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O Argumento Ontológico e a História da Filosofia
Este artigo não almeja ser uma exposição sistemática dos diversos sistemas que se serviram do dito argumento ontológico para se sustentarem. Queremos, no entanto, mostrar como este argumento tornou-se clássico para a história da Filosofia; como ajudou a fundar os mais diversos pensamentos. Encontrado, nas suas “razões seminais”, em Agostinho, tornou-se sólido e conclusivo com Anselmo. Fora retomado, na escolástica tardia, por Escoto, embora com nuanças diferentes. Chegou a ser apreciado e abraçado por muitos filósofos modernos. Nosso pequeno texto não quer esgotar tudo o que esses filósofos disseram sobre a prova ontológica, mas apenas mostrar como este argumento esteve presente na filosofia de um Descartes, por exemplo. Tentando reconstruir as suas bases conceituais, desenvolvidas ao longo dos séculos, prepararemos o terreno para uma compreensão mais precisa do que representaria a sua refutação, feita por Tomás de Aquino, na alta escolástica, e por Kant, no Iluminismo. Por tudo isso, averiguamos que seja fundamental, ao estudioso da Filosofia, compreender, ao menos fundamentalmente, qual seja à força deste argumento e qual o seu lugar na história do pensamento ocidental.
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